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O que é Libertinagem?

ARTIGO

5/8/20269 min ler

A palavra “libertinagem” vem do termo “libertino”. A origem passa pelo latim:

  • liber = “livre”

  • Daí surgiu Libertinus, que era o nome dado a um escravo que havia sido libertado em Império Romano

“Libertinagem” não nasceu unicamente no contexto religioso, embora hoje ela seja muito usada nele.

A raiz da palavra está ligada à ideia de liberdade social e filosófica antes mesmo do uso cristão moral. Como falei, vem do latim libertinus, ligado ao “homem livre” ou “escravo liberto” no Império Romano.

Depois, principalmente entre os séculos XVI e XVII na Europa, surgiu o termo “libertino” para descrever pessoas que: rejeitavam autoridades religiosas, questionavam tradições, defendiam uma vida mais livre moralmente ou intelectualmente.

Mas o que queremos aqui é falar sobre cristãos libertinos. Podemos dizer que a prática libertina de um cristão parte de duas verdades: primeiro, é que não somos salvos por obras, e sim pela fé em Cristo; segundo, nós somos pecadores e não deixamos essa natureza quando estamos em Cristo. Mas aqui vemos mais um caso de algo bom vindo de Deus que se torna algo ruim na vida dos homens.

Diante dessa verdade de que somos pecadores, o Senhor em sua palavra nos ensina a lidar com o pecado. Nós vemos princípios como o de fugir do pecado, buscar uma vida de santidade e, diante dos pecados, mostrar arrependimento. Quem vive uma vida de libertinagem vive uma vida de pecado sem arrependimento, e sem procurar uma mudança. Por exemplo, alguém que sabe que determinada atitude é errada, mas continua nela dizendo “Deus vai me perdoar mesmo”, está tratando a liberdade de maneira distorcida. Muitas vezes, é algo que já está no inconsciente da pessoa: "Quais as consequências que eu vou ter de continuar fazendo isso de errado?" "Nenhuma, a salvação eu já tenho, que é o principal." Portanto, não há nem um tipo de esforço ou um esforço mínimo em buscar vencer o pecado e em buscar uma vida que agrade ao Senhor. Se nós estamos vivendo assim, estamos em completa discordância e desagradando aquele que nos salvou. O Senhor em sua palavra não nos ensina e não quer para nós o excesso de regras do legalismo, nem a falta de limites da libertinagem, mas uma vida guiada pela graça, pelo amor e pela transformação do coração.

Para entendermos melhor esse assunto na prática, quero relacionar a libertinagem com outros dois temas: a liberdade e a graça. Esses assuntos estão ligados entre si, mas cada um possui suas próprias nuances, que podem nos ajudar a compreender melhor o que é a libertinagem. Além disso, essa reflexão também serve para que cada um possa olhar para si mesmo e pensar com sinceridade se, em algum momento, tem vivido de maneira libertina ou não

Esse assunto de “liberdade x libertinagem” é muito comum de ouvirmos nas igrejas, e possivelmente você já ouviu alguém falar sobre isso. Mas antes de entendermos a libertinagem, precisamos primeiro entender a verdadeira liberdade cristã.

Liberdade x libertinagem

Esse é um tema bem discutido no meio cristão, possivelmente você já tenha ouvido falar nele. Mas é algo que precisa ser sempre esclarecido no meio cristão, que a liberdade em Cristo  não é liberdade para pecar, ou seja, libertinagem.

Gálatas 5:1 diz: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se submetam novamente a um jugo de escravidão.”Quando pensamos na liberdade em Cristo, precisamos perguntar: livres de quê? A resposta da Bíblia é clara: somos livres do pecado e da escravidão do pecado.João 8:34 diz:“Todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado.” O pecado é uma escravidão que exerce um domínio sobre o ser humano e o afasta de Deus tanto nessa vida terrena quanto eternamente. Antes de Cristo, vivíamos presos à nossa natureza pecaminosa, incapazes de nos libertarmos por nós mesmos. Mas Jesus veio justamente para nos libertar desse jugo, e dessa condenação eterna. Portanto, se você está em Cristo, você é livre nele.

Isso nós entendemos. Porém, também precisamos compreender o verdadeiro sentido e propósito da liberdade em Cristo. Essa liberdade não significa apenas que Deus é gracioso e perdoa os nossos pecados, nem somente que agora temos a garantia da vida eterna. A liberdade em Cristo reflete diretamente na maneira como vivemos hoje.

Deus nos criou para ter relacionamento com Ele, mas o pecado rompeu essa comunhão e nos colocou sob um jugo de escravidão. Cristo, porém, nos libertou para que, enquanto vivermos neste mundo, possamos desfrutar novamente desse relacionamento com Deus, buscando uma vida que O agrade. Então lembre-se de que se você está em Cristo, você é livre, mas sempre tenha em mente o porquê de você ser livre.

Gálatas 5:13 resume isso muito bem:“Vocês foram chamados à liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.”A verdadeira liberdade cristã não é viver sem limites, mas viver livres do domínio do pecado para amar, servir e obedecer a Deus. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Em Cristo, a pessoa inicia uma nova vida. O passado, os pecados, a velha mentalidade e a antiga maneira de viver já não definem mais quem ela é Romanos 6:22 diz: “Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, vocês têm o seu fruto para a santificação, e por fim a vida eterna.”

Portanto, não faz sentido viver uma vida de pecado uma vez que fomos libertos disso. E esse é o propósito da liberdade, nos dar uma nova vida em Cristo.

A santificação é um dos propósitos da nossa liberdade em Cristo. Deus nos libertou para vivermos uma vida transformada, cada vez mais parecida com a vontade d’Ele.

Já a libertinagem é justamente quando alguém não entende a liberdade que recebeu em Cristo, ou escolhe viver como se ainda estivesse preso ao pecado. Muitas vezes, algumas pessoas vivem de forma libertina até inconscientemente, demonstrando falta de crescimento espiritual e de compromisso com Deus.

A libertinagem é o mau entendimento da graça

Muitas pessoas confundem graça com permissão para viver de qualquer jeito. Pensam que, porque Deus perdoa, então o pecado deixou de ser algo sério. Mas isso é um grande mal-entendido da graça. A graça de Deus não existe para nos incentivar a pecar, mas para nos transformar. Antes de Cristo, éramos escravos do pecado, presos a uma vida distante de Deus. A graça apareceu justamente para nos libertar disso, não para nos deixar confortáveis vivendo no erro.

A verdadeira graça produz arrependimento, mudança e desejo de agradar a Deus. Quem realmente entende o amor de Cristo não usa esse amor como desculpa para viver no pecado.

Romanos 6:1-2 fala exatamente sobre isso:

“Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma!”

A graça não remove apenas a culpa do pecado, ela também nos dá força para lutar contra ele. Por isso, liberdade em Cristo não é fazer tudo o que dá vontade, mas ser livre do domínio do pecado para viver uma vida mais próxima de Deus.Quem vive na libertinagem pensa algo como: “Deus vai me perdoar mesmo, então posso fazer o que quiser”. Mas a verdadeira graça não produz um coração rebelde; ela transforma a pessoa. Quando alguém entende o amor de Deus de verdade, a tendência não é se afastar dEle, mas querer agradá-Lo cada vez mais.Muitas vezes a libertinagem não aparece só em atitudes extremas, mas em pequenos pensamentos do tipo: “isso não tem problema”, “Deus entende”, “todo mundo faz”. Aos poucos, a pessoa vai perdendo o temor, a sensibilidade espiritual e o compromisso com Deus.Quem entende a graça de verdade percebe que Jesus não morreu para que continuássemos presos ao pecado, mas para que tivéssemos uma nova vida. A graça não nos empurra para longe de Deus; ela nos aproxima d’Ele e nos transforma diariamente.

Você tem sido libertino? Não quero te levar a pensar que a vida cristã se resume apenas a seguir regras, vivendo presa ao que pode ou não pode fazer. O evangelho é, acima de tudo, sobre relacionamento com Deus. E quando realmente amamos a Deus, naturalmente desejamos agradá-Lo.

Também precisamos ter a consciência de que ainda somos pecadores e, inevitavelmente, vamos falhar em algum momento. Porém, a grande questão é: como você lida com o pecado? Você se incomoda com ele? Se você tem um pecado de estimação, você deseja vencê-lo? Existe em você o desejo de abandonar certos erros para não continuar desagradando a Deus, ou isso já não faz mais diferença no seu coração?

Outra reflexão importante: você tem testemunhado de Jesus através das suas atitudes e das suas palavras? As pessoas têm vindo a Cristo em você? E se percebe que não, isso tem te incomodado? Existe em você o desejo de ser mais parecido com Cristo, de refletir mais o caráter dEle?

O pecado deve gerar esse incômodo no coração do cristão. Deve existir esse desejo sincero de crescer em santidade e amadurecer espiritualmente. Por isso, olhe para si mesmo com sinceridade, faça essa reflexão e busque em Deus a mudança daquilo que precisa ser transformado.Viver uma vida de pecado, já tendo sido salvos, nos isenta de consequências? Ao olharmos pra Bíblia, a verdade é que não.

Existe sim um princípio bíblico de que quem recebeu mais conhecimento espiritual possui também maior responsabilidade diante de Deus. Por isso, o pecado de alguém que conhece a verdade não é tratado da mesma maneira que o pecado de alguém que vive na ignorância espiritual. Jesus disse no Evangelho de Lucas 12:48: “A quem muito foi dado, muito será exigido”. A ideia é que quanto maior a luz recebida, maior a responsabilidade.

Isso pode ser aplicado à diferença entre um cristão que peca e um ímpio que peca. O cristão conhece o evangelho, conhece a vontade de Deus, possui a atuação do Espírito Santo e entende o peso do pecado de uma forma mais profunda. Em Tiago 4:17 está escrito: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado”. O conhecimento aumenta a responsabilidade moral. Segunda Epístola de Pedro 2:20-21 também traz uma advertência forte ao dizer que seria melhor não conhecer o caminho da justiça do que conhecê-lo e depois se desviar. E em Epístola aos Romanos 2:12, Paulo explica que Deus julga cada pessoa de acordo com a luz que recebeu.

Isso não significa que o cristão verdadeiro se torne perfeito ou não lute mais contra o pecado. A diferença é que agora existem consciência, arrependimento, disciplina de Deus e conflito interior. O pecado deixa de ser apenas uma prática natural e passa a gerar incômodo espiritual. Já o endurecimento constante e sem arrependimento pode revelar um coração distante de Deus.

Ao mesmo tempo, a Bíblia deixa claro que tanto o cristão quanto o ímpio precisam igualmente da graça de Cristo, porque todos pecaram. A salvação não vem do mérito de pecar menos, mas da obra de Jesus. Porém, conhecer a verdade e ignorá-la deliberadamente é algo tratado com muita seriedade nas Escrituras. E existe ainda uma observação muito importante: algumas pessoas vivem uma vida religiosa, acreditando que estão salvas, mas nunca foram verdadeiramente alcançadas pela graça de Cristo. A Bíblia alerta sobre pessoas que pensam estar salvas, mas que, no dia de Cristo, terão a triste surpresa de serem rejeitadas por Ele.

Por isso, se você ainda não entregou sua vida a Jesus de maneira verdadeira e autêntica, faça isso enquanto há tempo. Entenda o que Cristo fez por voçê, entregue sua vida a Ele, conheça a graça de Deus de forma real e experimente a verdadeira liberdade que existe em Cristo.




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Desigrejados é um projeto que venho pensando em fazer já faz um tempo. Trabalhar essa rotulação pejorativa que tem se cunhado sobre aqueles que deixaram de congregar nos templos e que agora têm que carregar o estigma dos julgamentos daqueles que pensam estar entendendo e tendo o domínio das coisas de Deus por aqui. A ideia central é zerar esse game e colocar todos num patamar de igualdade para sentarmos e renegociarmos os termos do contrato: ninguém explica Deus. Por aqui passearemos pelas críticas internas que se baseiam no discurso de Estevão e seu convite para o além-templo; pelos escritos de Nietzsche e sua filosofia do martelo, pela leveza afiada e violentamente pacífica do artista das ruas do blog Observar e Absorver, Eduardo Marinho, pela contribuição serena e revolucionária do Dr. Henrique Caldeira... Epicuro, Spinoza, autores estoicos... umas tantas citações de música popular brasileira (de Raul Seixas a Preto no Branco), e as considerações deste cara que vos fala. É uma leitura rápida, mas que tem a importância no seu tema que contempla a espiritualidade, o sentido da vida, a fé e a legitimidade das religiões. Se tudo der certo, servirá para formar novos Melquisedeques, sacerdotes do deserto da vida - como João Bastista, que bancam a sua autenticidade e que medem a eternidade com a sua própria régua.

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